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O cinema é uma das formas de arte mais influentes da era contemporânea. Desde os seus primórdios absorveu continuamente estruturas pré-existentes da literatura, teatro, cenografia, pintura, fotografia, música e som, e foi nessa intersecção de linguagens que se forjou a especificidade do que reconhecemos como uma das mais poderosas formas de representação e manipulação do real: a linguagem do cinema, um repositório de códigos especificamente cinematográficos entrelaçados com outros sistemas de significados não cinematográficos. Por causa deste imenso potencial narrativo, o cinema transformou-se rapidamente num interlocutor privilegiado de roturas políticas ou sociais e, em simultâneo, de liberdade, na expressão de linguagens artísticas e intenções estéticas. Falar de cinema, liberdade e arte significa reconhecer o peso desta(s) convergência(s).
Aproxima-se a 2.ª quinzena de abril de 2026 e o ciclo de cinema que o PNC propõe às escolas é um espelho destas confluências: iniciamos a viagem com a curta-metragem Amanhã, de Solveig Nordlund, cineasta destacada no cinema português, que, neste pequeno e poético trabalho de 2004, celebra o momento da Revolução dos Cravos através da experiência de uma criança, com diálogos assinados em colaboração com a escritora Eduarda Dionísio e sonoridade musical de autoria do compositor Johan Zachrisson.
A segunda proposta é um conjunto de três curtas-metragens de Abi Feijó, autor cuja obra retoma constantemente a denúncia de formas de repressão através da arte. Em Abi Feijó presenciamos sempre um encontro intencional com as artes plásticas: em A Noite Saiu à Rua, de 1987, o friso animado de personagens inspiradas nas caricaturas do artista plástico João Abel Manta revela-nos os contornos tenebrosos da ditadura até à aparição do cravo que lhe pôs fim. No caso de Os Salteadores, 1993, concretizado a partir dum texto de Jorge de Sena, o encontro cruza literatura, animação e música para denunciar a repressão política. Vemos três homens num carro e, num flashback, mergulhamos no universo ameaçador do fascismo e numa poderosa citação: um plano do fuzilamento de antifascistas que cita Os fuzilamentos de três de Maio, de Goya. Novo encontro com a literatura, em Clandestino, 2000, baseado num conto de José Rodrigues Miguéis, onde a técnica de animação de areia é a opção para falar sobre exílio e marginalidade. Em ambos os trabalhos, a música impactante de Tentúgal afirma-se como elemento indissociável do tom e do sentido das narrativas.
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Amanhã
Solveig Nordlund
Ficção | Portugal | 2004 | 15 min.
1.º ciclo, 2.º ciclo, 3.º ciclo, Secundário
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A Noite saiu à rua
Abi Feijó
Animação | Portugal | 1987 | 4 min.
1.º ciclo, 2.º ciclo, 3.º ciclo, Secundário
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Os Salteadores
Abi Feijó
Animação | Portugal | 1993 | 15 min.
3.º ciclo, Secundário
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Clandestino
Abi Feijó
Animação | Portugal | 2000 | 7 min.
1.º ciclo, 2.º ciclo, 3.º ciclo, Secundário
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A nossa terceira proposta recai num novo título acabado de entrar no streaming do PNC: O Delfim, 2002, de Fernando Lopes. Decadência profunda, atmosfera sombria e sufocante, país massacrado por um regime político moribundo em finais dos anos 60 (o romance de José Cardoso Pires foi publicado em 1968) e, novamente, as cumplicidades entre as artes emergem de forma lapidar. Na origem do filme está um romance, depois um argumento (Vasco Pulido Valente), colocados face-a-face com símbolos tornados visíveis e audíveis: ambientes, uma lagoa milenar, uma família decadente, colégios de freiras, a criada espia, cães – bestas ladradoras, gestos, objetos, sedas, whiskey e jaguares. É um filme que nos desafia para lá da palavra, com a extraordinária fotografia de Eduardo Serra, o som de Philipe Morel, os excertos musicais de Hector Berlioz e Marcos Portugal e a presença de um elenco extraordinário.
A quarta proposta, com dois filmes, assume-se inteira como cinema, liberdade e arte. O primeiro desce ao fundo do fascismo e testa os limites do próprio cinema: 48, 2009, de Susana de Sousa Dias. O PNC realizou uma ação de curta-duração com a realizadora, disponível online e um dossiê pedagógico, da autoria da Professora Doutora Raquel Schefer. O segundo filme respira na rua, com o ambiente revolucionário e ao som da música de Zeca Afonso: As Armas e o Povo, 1975, Coletivo de Trabalhadores da Atividade Cinematográfica. O PNC publicou um dossiê pedagógico sobre o filme, da autoria do Professor Doutor Paulo Cunha.
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Novo!
O Delfim
Fernando Lopes
Ficção | Portugal 2002 | 88 min.
3.º ciclo, Secundário
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As Armas e o Povo
Coletivo de Trabalhadores da Atividade Cinematográfica
Documentário | Portugal | 1975 | 81 min.
3.º ciclo, Secundário
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Dossiêr pedagógico →
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Por último, há muito desejados, dois novos filmes no streaming: Nayola, 2022, de José Miguel Ribeiro e Zé Pedro Rock ‘n’ Roll, 2019, de Diogo Varela Silva. No primeiro, uma longa-metragem de animação, vemos desfilar um pedaço dramático da História da guerra civil em Angola, focado em olhares femininos e esculpido a partir de diferentes propostas estéticas: os trabalhos literários de José Eduardo Agualusa e Mia Couto, o argumento de Virgílio de Almeida, a música de Bonga e de Medusa e a realização magistral de José Miguel Ribeiro à frente de uma equipa criativa de exceção. No segundo filme, uma longa-metragem documental, Diogo Varela Silva trabalha diferentes materiais, incluindo material de arquivo, para revelar um pedaço da surpreendente cena de inovação cultural e libertária que marcou a estética do rock e do punk em Portugal e contar a história do lendário músico guitarrista fundador dos Xutos e Pontapés, Zé Pedro.
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Novo!
Nayola
José Miguel Ribeiro
Animação | Portugal | 2022 | 83 min.
3.º ciclo, Secundário
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Novo!
Zé Pedro Rock and Roll
Diogo Varela Silva
Documentário | Portugal | 2019 | 105 min.
3.º ciclo, Secundário
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No âmbito da comemoração dos 30 anos do ANIM – Arquivo Nacional das Imagens em Movimento (pólo e departamento da Cinemateca Portuguesa-Museu do Cinema), a Cinemateca Júnior e o Plano Nacional do Cinema promovem um ciclo de cinema para as escolas do ensino básico e secundário. De abril a dezembro, a sala de cinema do centro de conservação da Cinemateca abre-se uma quinta-feira do mês para proporcionar sessões de cinema português e estrangeiro, filmes documentários e de animação, numa mostra que pretende dar a conhecer a variedade e qualidade de títulos disponíveis na plataforma do PNC.
NOTAS:
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Este programa é destinado a escolas aderentes ao Plano Nacional do Cinema.
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Todas as sessões são gratuitas e incluem uma conversa mediada pela equipa da Cinemateca Júnior.
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Todos os filmes propostos neste ciclo estão também disponíveis para visualização na plataforma de streaming do PNC.
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INSCRIÇÕES A DECORRER!
ACD ONLINE
21 ABR – 18H ÀS 21H
VAMOS FALAR DE CINEMA?
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TAKE 30 – Cinema: Discriminação Zero
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No próximo dia 21 de abril, das 18:00h às 21:00 vai ter lugar a Ação de Formação de Curta Duração online do PNC: TAKE 30 | Cinema: Discriminação Zero. Esta ação irá ter lugar a propósito da celebração de 1 de março – Dia da Discriminação Zero, dia que pretende salvaguardar os direitos de todas as pessoas e para a não discriminação com base no género, idade, credo, orientação sexual, doença, deficiência, etnia e/ou nacionalidade. Pretende-se também alertar para a necessidade de implementar medidas que protejam os direitos dessas mesmas pessoas, através da análise e reflexão sobre duas obras fílmicas: Interdito a Cães e italianos, de Alain Ughetto e A Mais Preciosa Mercadoria, de Michel Hazanavicius, recentemente incluídas no catálogo do PNC.
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INSCRIÇÕES ABERTAS!
ACD ONLINE
29 ABR – 18H ÀS 21H
VAMOS FALAR DE CINEMA?
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TAKE 31 – 2026, Odisseia no Espaço: Masterclass com Graça Castanheira
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Estão abertas as inscrições para a Ação de Formação de Curta Duração online do PNC: TAKE 31 | 2026, Odisseia no Espaço: Masterclass com Graça Castanheira, que terá lugar no próximo dia 29 de abril, das 18:00h às 21:00. Esta sessão piloto insere-se no projeto 2026 Odisseia no Espaço — Ciclo de Literacia Audiovisual, desenvolvido em articulação com o PNC, e constitui o momento formativo de arranque e de apresentação de um ciclo de ações de curta duração online dirigidas a docentes que se seguirá entre Janeiro e Março de 2027.
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AE de Oliveira do Hospital no CINANIMA
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Atividades Cinematográficas Escolares
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Este tem sido um período de extraordinário dinamismo cinematográfico nas nossas comunidades educativas, e, do balanço de muitas atividades realizadas nos meses de fevereiro e março, destacamos, por um lado, o ciclo do cinema organizado em Castanheira do Ribatejo, no AE D. António de Ataíde. Por outro lado, salientamos as múltiplas atividades de fruição cinematográfica em sala, diretamente organizadas pelas escolas em articulação com parcerias locais, promovendo a literacia audiovisual e proporcionando aos alunos o contacto direto com a sétima arte no ambiente imersivo de uma sala de cinema. São exemplo destas atividades a Mostra Anual de Cinema organizada pelo AE de Albufeira no Auditório Municipal de Albufeira e a deslocação de alunos do AE de Oliveira do Hospital à Casa Municipal César de Oliveira, para visionamento de um programa de curtas de animação. Destacamos também as inúmeras sessões escolares realizadas em salas comerciais, citando três iniciativas em que o cinema português foi protagonista a propósito da estreia de Terra Vil, de Luís Campos: a ES Quinta das Palmeiras foi aos Cinemas Castello Lopes, na Covilhã, a ES Dr. Joaquim Gomes Ferreira Alves foi ao UCI Cinema Arrábida Shopping e a ES Camilo Castelo Branco foi aos Cinemas NOS, Vila Real.
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PROGRAMA EDUCATIVO
ABR-JUN
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“Como os cães da foto de capa, queremos correr livres e de olhos bem abertos e fazer-vos correr da mesma maneira. Não porque tenhamos de apanhar o autocarro ou entrar na escola a horas certas, mas porque é bom, só por isso. Os nossos filmes, oficinas e visitas guiadas também deveriam ser só isso, puro prazer! Os pais e os professores acham que as coisas que mostramos e fazemos também servem para conhecermos mais coisas e para sermos melhores pessoas. Ficamos felizes por sermos como os humoristas que são pagos para fazerem o que mais gostam e como é bom partilhar, convidamos-vos para o festim. E o festim destes três meses coincide com a festa por excelência da LIBERDADE e para esta celebração temos todos os filmes do programa, já animados por esse espírito, e duas oficinas feitas à medida: cartazes em liberdade e banda sonora de uma revolução.”
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“A 10ª edição do Festival Mental – Cinema, Artes e Informação realiza-se de 14 a 17 de maio, em Lisboa, com programação distribuída por espaços emblemáticos como o Cinema São Jorge e a Quinta das Conchas. Esta edição assinala uma década de um projeto pioneiro em Portugal que, através da cultura, tem vindo a promover a saúde mental, combater o estigma e contribuir ativamente para a literacia nesta área.
Mais do que um festival, o Festival Mental afirma-se como uma plataforma de encontro entre ciência, arte e sociedade, reunindo cinema, música, teatro, dança, literatura, pensamento crítico e participação comunitária. Ao longo de dez anos, construiu um percurso consistente, acompanhando a evolução do discurso público sobre saúde mental e antecipando temas que hoje são centrais no debate contemporâneo.”
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